Suportar essa realidade cotidiana é coisas de titãs. Sozinhos, nesse universo imenso, tentando salvar-se num momento iminente que virá é assustador para essa criatura, o homem. Então vem as artes... Com as artes o homem pode aquietar esse medo da morte como um lenitivo, uma brisa de mar aberto de sensibilidades, um oceano temeroso antes do amanhecer. Nas artes, ah as artes, são autênticas em tudo. Liga o passado, o presente e o futuro com obras reais com interações do mundo cotidiano com o onírico. Tudo bem, contemplar o belo vale a estesia...
Portanto, encontrar uma paisagem, ou outro motivo, para um quadro é um desafio e uma aventura estética ímpar. Arrumar os elementos para composição, sem descaracteriza o todo da pintura final, e melhorá-la, é ação de criação.
Boi no pasto da Fazenda Água Branca
Arches ( 28 x 38 ) cm 100% cotton 300g/m² - Vendida
Dayton Roger nasceu em Araçatuba, interior de São Paulo. Formado em matemática pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), viveu e frequentou o ambiente cultural e científico que permeia aquele campus. Frequentou, sobretudo, os cursos de história da arte e cinema do prof. José Sidney Leandro. Antes já usava a aquarela como técnica; mas foi sobre a orientação e incentivo desse professor que decidiu, de forma natural, pela aquarela como principal meio de expressão artística. Em julho de 1993, como apresentação para uma de suas exposicões de aquarelas, o professor escreveu sobre o aquarelista:
Seus melhores trabalhos são sem dúvida a paisagem. Dayton se dá melhor com grandes espaços. E, além disso com o efêmero. Suas obras que mais me impressionam são aquelas que capta o não estático, o mutável: o vento nas folhas, a luz do sol, as nuvens, a água, até os trilhos que aguardam o trem. Mesmo que ele desenhe aquilo que aparentemente é perene, uma casa por exemplo, a marca do transitório se faz presente, seja na parede mofada ou em algum outro detalhe. O efêmero na natureza é sua poética e a técnica, ou melhor, a gramática dessa técnica, é seu tema. A técnica pela própria técnica, não como suporte, mas como um fim em si mesma.
JOSÉ S. LEANDRO
São Carlos, julho de 1993